segunda-feira, junho 30, 2008

( cont.)

Devido a alguns emails que recebi a propósito do meu novo livro, venho informá-los que o mesmo será editado em breve. É um romance como já devem saber e tenho vindo a publicar pequenos excertos do mesmo. Hoje deixo-vos mais um pedacinho...

( ...)

Assim que cheguei a casa e antes de abrir a porta descalcei-me tentando fazer o mínimo barulho possível. Abri a porta mas não acendi a luz, fiquei quieta por uns segundos, não ouvia nenhum ruído por isso julguei que estavas a dormir. Dirigi-me pé ante pé às escuras em direcção ao quarto, sentia a minha respiração cada vez mais acelerada e ofegante, eu sabia que irias ficar muito aborrecido se soubesses que eu tinha chegado a casa àquelas horas, ainda por cima com um cheiro a álcool insuportável. Aproximei-me da porta do quarto mas parei por um instante e coloquei a mão na boca para tentar sentir o meu hálito que estava simplesmente insuportável por isso virei costas para ir á casa de banho escovar os dentes primeiro.

- Onde vais, posso saber?
O meu corpo tremeu de alto a baixo e eu soltei um grito assustado.
- Ai João, ainda me matas do coração!
Acendeste a luz do candeeiro, o quarto tinha um aspecto sombrio mas eu consegui vislumbrar o teu rosto, estavas sentado na cama encostado à cabeceira com cara de poucos amigos. Achei melhor mudar rapidamente o meu tom de voz e tentar arranjar uma justificação para chegar a casa àquelas horas da madrugada.
- Ainda acordado amor?
- Sim parece que sim ou não te parece?
- Pois… cheguei um pouco tarde, mas…
- Julie por favor não tentes inventar desculpas porque nunca foste boa a mentir! Posso saber onde estiveste até estas horas?
- Então… fui jantar com a Sara como tu sabes e depois fomos a um bar beber um copo…
- Beber um copo? Pelo tempo que demoraram devem ter até esvaziado a reserva!
- Olha lá, não achas que estás a exagerar um bocado? Sei que é um pouco tarde mas também não é motivo para ficares assim.
- Ai não? Então agora estás a querer dizer que eu não tenho nada a ver com isso? É isso que estás a querer dizer?
- Não é nada disso – respondi enquanto me aproximava de ti - só acho que estás a exagerar um pouco é só. Sei que é tarde e peço desculpa mas nem demos pelo tempo a passar…

(...)

Por momentos fiquei em dúvida se viria de mim mas logo me apercebi que não, o cheiro que empestava o quarto era cheiro de cerveja e eu não tinha bebido cerveja nessa noite. Estavas bêbedo uma vez mais e pior ainda, furioso comigo.

- Estiveste a beber João?
- Que raio de pergunta é essa?
- Só te perguntei se estiveste a beber…
- Sim, bebi um copo com o pessoal, porque? Se pensas que desta maneira tiras as culpas das costas e foges à conversa estás muito enganada!
Levantaste-te bamboleando, passaste por mim e deste-me um encontrão tentando passar entre mim e a cama. Vi-te a afastar e a dirigires-te à cozinha, temi o que me esperava… Ainda a medo dirigi-me à casa-de-banho tentando não fazer barulho com receio que até isso te incomodasse e as coisas piorassem. Escovei os dentes, retirei a maquilhagem e lavei o rosto, depois fui para o quarto e comecei a despir-me. Tu entraste naquele preciso momento mas nem sequer me olhaste, passaste por mim e fingiste não me ver. Aquela tua atitude incomodou-me e achei que era melhor resolvermos logo ali o problema.
- Vamos conversar como duas pessoas adultas ou vais continuar assim?
- Assim como?
- Não te faças de parvo, sabes perfeitamente do que estou a falar!
Aquela foi a gota de água. Aproximaste-te de mim agarraste-me nos braços com força enquanto me sacudias gritando a alto e bom som para quem quisesse ouvir.
- Eu não admito que mulher minha chegue a casa a estas horas, estás a ouvir?
- João fala mais baixo por favor, vamos acalmar-nos e conversar calmamente.
Parecias nem escutar o que te dizia e continuavas a apertar-me os braços cada vez com mais força. Os teus olhos estavam arregalados, vermelhos e o teu olhar parecia vidrado, distante. Naquela altura temi o que podia acontecer.

-Estás a magoar-me!- Gemi enquanto tentava soltar-me das tuas mãos.
- Sais daqui toda produzida e arranjada e apareces a estas horas a casa. Foste encontrar-te com quem? Vá, diz quem é o gajo!
- João por favor não é nada disso, vamos deitar-nos e falamos sobre isso amanha com mais calma.
Naquele momento soltaste-me empurrando-me para cima da cama e saíste.
- João onde vais a estas horas? Por favor fica aqui! (...)

(...)

domingo, junho 29, 2008




Hoje deixo-vos uma música que adoro, que me faz sentir bem. Saudades... E que saudades de dançar esta SALSAAAAAAA :)

quarta-feira, junho 18, 2008

( cont.)

( ...)


- É linda Julie, achas que me serve?
- É claro que serve, nós vestimos praticamente o mesmo tamanho, experimenta-a!
A blusa ficava-lhe simplesmente deslumbrante fazendo realçar ainda mais a cor dos seus olhos, juntamente com uns jeans justinhos que ela tinha vestido e umas sandálias floridas que por coincidência puxavam para os tons alaranjados.
- Bem tu hoje… ai se o Filipe te visse agora…
- Nem digas nada, acho que lhe dava uma coisinha má.
Não conseguimos evitar e deixámo-nos cair em cima da cama dando gargalhadas e fazendo cócegas uma à outra como se tivéssemos recuado no tempo até aos nossos 15 ou 16 anos e só acordamos daquele estado de êxtase ao ouvirmos a tua voz.
- Ei afinal está a haver festa no meu quarto e eu não fui convidado? Perguntaste curioso.

Pusemos as mãos a tapar a boca para tentar silenciar os nossos risos mas em vão, depois respirámos fundo e decidimos que iríamos comportar-nos como umas verdadeiras senhoras. Ao ver a sara pôr-se de pé, consertar a roupa de um modo muito chique e empinar o nariz, não resisti e soltei outra gargalhada. Pouco depois apercebemo-nos da tua presença em frente à porta do quarto.

- João, o que estás aqui a fazer? Podíamos estar descompostas, isso são modos?- refilei.
- Eh…, desculpem é que ouvi tantos risos que fiquei curioso e vim ver o que se passava - respondeste muito atrapalhado e balbuciando as palavras - mas como vi a porta aberta pensei que não havia problema…
Mal conseguimos escutar as tuas últimas palavras, ficaste de tal modo envergonhado que voltaste logo para a sala e eu e a Sara voltámos a rir-nos que nem umas perdidas.

Cerca de vinte minutos mais tarde já estávamos prontas para sair. Naquela noite senti-me bonita, a pele bronzeada, o vestido vermelho, prendi os cabelos com um gancho em forma de flor que tinha comprado numa pequena loja de bijuteria fiz uma bonita maquilhagem e calcei umas sandálias que tinha comprado há dias numa das saídas com a minha mãe. Já há algum tempo que não me arranjava assim, nem sequer me preocupava muito em me maquilhar. Ao veres-me os teus olhos arregalaram-se, percorreste o meu corpo de alto a baixo varias vezes com a boca aberta de espanto.

- Então amor, estou bem?
- Perguntas-me se estás bem? Estás linda mas será que era preciso essa produção toda?
- Consegues mesmo desanimar-me, é preciso reagires assim? Então, só me arranjei um pouco mais, vou sair à noite, é normal que me vista de forma diferente do que ando durante o dia.
- Tudo bem, só acho que não era preciso tanta coisa mas tu é que sabes.

Naquele momento senti-me incomodada, apesar da Sara ser praticamente da família incomodou-me que ela estivesse a assistir àquela troca de palavras, no entanto e como sempre muito perspicaz, ela tentou logo mudar o rumo da conversa. (...)