Devido a alguns emails que recebi a propósito do meu novo livro, venho informá-los que o mesmo será editado em breve. É um romance como já devem saber e tenho vindo a publicar pequenos excertos do mesmo. Hoje deixo-vos mais um pedacinho... ( ...)
Assim que cheguei a casa e antes de abrir a porta descalcei-me tentando fazer o mínimo barulho possível. Abri a porta mas não acendi a luz, fiquei quieta por uns segundos, não ouvia nenhum ruído por isso julguei que estavas a dormir. Dirigi-me pé ante pé às escuras em direcção ao quarto, sentia a minha respiração cada vez mais acelerada e ofegante, eu sabia que irias ficar muito aborrecido se soubesses que eu tinha chegado a casa àquelas horas, ainda por cima com um cheiro a álcool insuportável. Aproximei-me da porta do quarto mas parei por um instante e coloquei a mão na boca para tentar sentir o meu hálito que estava simplesmente insuportável por isso virei costas para ir á casa de banho escovar os dentes primeiro.
- Onde vais, posso saber?
O meu corpo tremeu de alto a baixo e eu soltei um grito assustado.
- Ai João, ainda me matas do coração!
Acendeste a luz do candeeiro, o quarto tinha um aspecto sombrio mas eu consegui vislumbrar o teu rosto, estavas sentado na cama encostado à cabeceira com cara de poucos amigos. Achei melhor mudar rapidamente o meu tom de voz e tentar arranjar uma justificação para chegar a casa àquelas horas da madrugada.
- Ainda acordado amor?
- Sim parece que sim ou não te parece?
- Pois… cheguei um pouco tarde, mas…
- Julie por favor não tentes inventar desculpas porque nunca foste boa a mentir! Posso saber onde estiveste até estas horas?
- Então… fui jantar com a Sara como tu sabes e depois fomos a um bar beber um copo…
- Beber um copo? Pelo tempo que demoraram devem ter até esvaziado a reserva!
- Olha lá, não achas que estás a exagerar um bocado? Sei que é um pouco tarde mas também não é motivo para ficares assim.
- Ai não? Então agora estás a querer dizer que eu não tenho nada a ver com isso? É isso que estás a querer dizer?
- Não é nada disso – respondi enquanto me aproximava de ti - só acho que estás a exagerar um pouco é só. Sei que é tarde e peço desculpa mas nem demos pelo tempo a passar…
(...)
Por momentos fiquei em dúvida se viria de mim mas logo me apercebi que não, o cheiro que empestava o quarto era cheiro de cerveja e eu não tinha bebido cerveja nessa noite. Estavas bêbedo uma vez mais e pior ainda, furioso comigo.
- Estiveste a beber João?
- Que raio de pergunta é essa?
- Só te perguntei se estiveste a beber…
- Sim, bebi um copo com o pessoal, porque? Se pensas que desta maneira tiras as culpas das costas e foges à conversa estás muito enganada!
Levantaste-te bamboleando, passaste por mim e deste-me um encontrão tentando passar entre mim e a cama. Vi-te a afastar e a dirigires-te à cozinha, temi o que me esperava… Ainda a medo dirigi-me à casa-de-banho tentando não fazer barulho com receio que até isso te incomodasse e as coisas piorassem. Escovei os dentes, retirei a maquilhagem e lavei o rosto, depois fui para o quarto e comecei a despir-me. Tu entraste naquele preciso momento mas nem sequer me olhaste, passaste por mim e fingiste não me ver. Aquela tua atitude incomodou-me e achei que era melhor resolvermos logo ali o problema.
- Vamos conversar como duas pessoas adultas ou vais continuar assim?
- Assim como?
- Não te faças de parvo, sabes perfeitamente do que estou a falar!
Aquela foi a gota de água. Aproximaste-te de mim agarraste-me nos braços com força enquanto me sacudias gritando a alto e bom som para quem quisesse ouvir.
- Eu não admito que mulher minha chegue a casa a estas horas, estás a ouvir?
- João fala mais baixo por favor, vamos acalmar-nos e conversar calmamente.
Parecias nem escutar o que te dizia e continuavas a apertar-me os braços cada vez com mais força. Os teus olhos estavam arregalados, vermelhos e o teu olhar parecia vidrado, distante. Naquela altura temi o que podia acontecer.
-Estás a magoar-me!- Gemi enquanto tentava soltar-me das tuas mãos.
- Sais daqui toda produzida e arranjada e apareces a estas horas a casa. Foste encontrar-te com quem? Vá, diz quem é o gajo!
- João por favor não é nada disso, vamos deitar-nos e falamos sobre isso amanha com mais calma.
Naquele momento soltaste-me empurrando-me para cima da cama e saíste.
- João onde vais a estas horas? Por favor fica aqui! (...)
(...)