
Dá-me tudo o que tens, amor, paz...
Dá-me também os caminhos traçados discretos
no alcatrão fresco.
Dá-me a luz, o sol, as folhas de cerejeira
no fundo do jardim.
Dá-me a glória, a bênção, as mãos estendidas,
a brisa do mar envolvente de espuma.
Dá-me calor, palavras soltas, vazias...
Dá-me as rosas vermelhas, as brancas, as amarelas.
Dá-me a força, a sensação, o orvalho das manhãs
o cheiro e a doçura do mel em frascos de vidro.
Dá-me principalmente a vivência,
a alma enjeitada a um canto.
O ser, se o puder ser com calmas, sem pressas...
Dá-me a conhecer-me e a sentir-me.
Apresenta-me a mim, sem pudores nem despeito,
nem rancores acinzentados de passados a descoberto.
Dá-me finalmente o encontro perdido,
gravado a ferros de angústia, em tempos idos de solidão,
o encontrofulgurante e hipnotizador com a VIDA!