terça-feira, maio 20, 2008

( cont. )

( ...)
O tempo passa, as pessoas morrem, essa certeza tão certa…
Senti um pesar no peito e o tempo distante que afinal não pára para o mundo parou somente para mim, ou dentro de mim.
Apertei a túlipa branca que trazia na mão. De repente senti-me trémula, com suores e a cabeça parecia rodar sem parar, seguida de uma tontura que me fez apoiar numa velha campa esbranquiçada. Era tão antiga que as letras gravadas já se tinham desvanecido, ficando apenas pequenas marcas das mesmas. Não consegui decifrar o nome que estava escrito, mas pelo seu tamanho dava para perceber que seria de uma pequena criança ou um recém-nascido.
Apesar do intenso calor que se fazia sentir o dia ameaçava-se chuvoso, algumas nuvens escuras cobriam o céu tornando todo aquele lugar ainda mais funesto e pesaroso. Por instantes senti-me fraquejar e pensei ir embora.
O quanto que me tinha preparado para aquele momento e agora o medo apoderava-se de mim. “Sou fraca”. As minhas mãos estavam frias e suadas, todo o meu corpo tremia, recuei no tempo e consegui rever-me naquele lugar, há cinco anos atrás, naquele dia em que as palavras não existiam, em que o silêncio era mestre e senhor e o dia era apenas noite… (...)
Meus amigos, deixo-vos mais um pequeno excerto do meu livro, espero que gostem :) Beijos e abraços a todos!!!