Não sou como os outros,
Como esses que passam gloriosos todos os dias
A sorrir e a acenar… irónicos
Falsidade escondida entre rendas e brocados
E lindos sapatos de cetim,
Fantasmas que pairam no ar
De uma realidade inconstante, imaginária.
Senhoras de lindos retratos que ousaram
Um dia sair deles, e pavoneiam-se pelas ruas.
Essas ruas que desconheço, porém que me reconhecem.
E escondem-se de maldade…que seja, não importa
Passo e sigo adiante, sinto dedos tocarem-me
E insultarem-me em segredo… “olha lá vai ela…
A impura, a inconstante…” que mais valia tem as suas vidas?
Nada mais que a minha, lindos vestidos de veludo
Pendurados delicadamente em corpos escanzelados de ganância
Cabelos perfumados num misto de jasmim e audácia,
Por vezes confundida com dignidade…
Não são melhores que eu… a inconstante,
A que não se resigna, a que não obedece, a que não pertence
A nada nem a ninguém, a que passa e não sorri…nada diz
Porém para quê? Também por mim o tempo passou
Meus finos traços estão gastos, perdidos para sempre,
Meus olhos não são meus, estão negros…sós, e abandonados
Minhas roupas não são bordadas de doces carinhos, mas arrastam pelo chão
O sofrimento de uma vida inteira…
Também eu num dia longínquo tive lindas vestes perfumadas,
Bordadas a oiro, de cores belas e vibrantes… e também eu dancei
A dança da vida em lindos palácios de sensações, porém tudo se
Desmoronou e fiquei confinada à clausura eterna, neste templo
De amargura e desprezo que me consome dia após dia,
Até nada restar, e passar novamente pela rua e ouvir
“Lá vai ela, a inconstante…!”
Como esses que passam gloriosos todos os dias
A sorrir e a acenar… irónicos
Falsidade escondida entre rendas e brocados
E lindos sapatos de cetim,
Fantasmas que pairam no ar
De uma realidade inconstante, imaginária.
Senhoras de lindos retratos que ousaram
Um dia sair deles, e pavoneiam-se pelas ruas.
Essas ruas que desconheço, porém que me reconhecem.
E escondem-se de maldade…que seja, não importa
Passo e sigo adiante, sinto dedos tocarem-me
E insultarem-me em segredo… “olha lá vai ela…
A impura, a inconstante…” que mais valia tem as suas vidas?
Nada mais que a minha, lindos vestidos de veludo
Pendurados delicadamente em corpos escanzelados de ganância
Cabelos perfumados num misto de jasmim e audácia,
Por vezes confundida com dignidade…
Não são melhores que eu… a inconstante,
A que não se resigna, a que não obedece, a que não pertence
A nada nem a ninguém, a que passa e não sorri…nada diz
Porém para quê? Também por mim o tempo passou
Meus finos traços estão gastos, perdidos para sempre,
Meus olhos não são meus, estão negros…sós, e abandonados
Minhas roupas não são bordadas de doces carinhos, mas arrastam pelo chão
O sofrimento de uma vida inteira…
Também eu num dia longínquo tive lindas vestes perfumadas,
Bordadas a oiro, de cores belas e vibrantes… e também eu dancei
A dança da vida em lindos palácios de sensações, porém tudo se
Desmoronou e fiquei confinada à clausura eterna, neste templo
De amargura e desprezo que me consome dia após dia,
Até nada restar, e passar novamente pela rua e ouvir
“Lá vai ela, a inconstante…!”


